20 de setembro de 2016

Me olha com outros olhos

Trilha sonora: If I'm lucky - State Champs


E aí, como vai você? Só passei pra te perguntar isso mesmo. Sabe como é, né. Tem dias que não conversamos. Eu sei que a vida tá corrida, mas você sabe também que eu não deixei de pensar em você, certo? Sabe, sei que não sou a pessoa mais confiável do mundo, eu talvez não seja a pessoa ideal para ficar ao seu lado, mas me responda: o que custa tentar? É pedir demais mais uma chance? Sim, é, eu sei disso também. Mas, bom, eu precisava tentar.

Talvez as coisas precisassem acontecer dessa maneira, dizem que é só perdendo algo - ou, nesse caso, alguém - para enfim dar o seu devido valor. Pois é, tudo verdade. Você vale ouro e eu nem sei mais porque me sinto assim com relação a você. Tudo o que vivemos e tudo o que foi dito já não vale de mais nada. É como se uma borracha passasse por cima de tudo o que desenhamos juntos. E eu nem te culpo caso essa borracha seja sua. Eu, no seu lugar, iria querer fazer a mesma coisa. Digo, me afastar de mim. Entende?

Eu já não sei mais quem é você ou aonde está, gostaria muito de descobrir. Se você me permitir, prometo ser o melhor não só pra você, mas para mim também. Não era isso que você queria desde o início? Pois bem, finalmente a minha ficha caiu. Sei que demorou, demorou até demais, mas ei... antes tarde do que nunca, não é? Hoje eu sei valorizar, sei sorrir, sei agradar. Mas confesso que se tem algo que não aprendi ainda é perdoar. Não os outros, nesse caso sou eu mesmo. Ainda não sei o que fazer para que eu perceba que você está bem sem mim. E que bom que está, pois eu não estaria. Não sem mim, sem você.

Todo esse tempo teve que passar para eu perceber que tudo o que sempre quis foi você. Eu não quero só mais um beijo, uma garota, um sorriso. Eu quero mais, bem mais. Que pena que você não está aqui para verificar que essa é a mais pura verdade que já disse até hoje. Já quis - e muito! - garotas de uma noite só, mas hoje percebo que me falta sentimento. Sim, aquele sentimento que você foi capaz de me dar e eu não quis receber. E não há nada mais triste do que isso. Eu tive um lugar só pra mim no seu mundo, mas preferi ficar no meu. Sozinho.

Por essa escolha - e tantas outras mais -, estou sozinho ainda aqui nesse mundinho ridiculamente pequeno. Mas se caso você ache que sou digno de outra chance, pode vir. Garanto a você que arranjo um espacinho pra você no meu travesseiro, na minha casa, no meu mundo, na minha vida. Espero que de alguma forma você receba tudo isso que estou te enviando, pois junto com as palavras está o meu coração. E não há nada pior no mundo do que não sentir aquele órgão vital não batendo em seu peito. E saiba que ele não está. Não sem você aqui.

Então, mais uma vez, se você quiser tentar, eu estarei aqui te esperando. Se não, tudo bem. Sei que, lá no fundo, sou merecedor disso. Se estou aguentando firme até agora foi porque você me ensinou a aguentar. Mas confesso que anseio pelo seu retorno só para você aguentar tudo isso junto comigo. E dessa vez prometo que aguentarei também. Ok?

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4 de setembro de 2016

Já cansei de te esperar



É isso mesmo. Eu cansei e não foi pouco. Confesso que te esperei por muito mais tempo do que deveria, mas você não voltou como havia me prometido. E eu, no fundo, meio que já sabia que isso ia acontecer. Porque é sempre isso que acontece quando me envolvo com alguém: ou ele some ou eu que sumo. Acho que dessa vez a vez era do outro, até porque eu permaneci aqui, imóvel e intacta.

Nunca mais me interessei por ninguém, sabia disso? Pois é, a sua memória ainda me atormenta, ela tá fresquinha aqui ainda. Ainda sinto tudo o que sentia há dois anos atrás, quando você me deu as costas e foi embora. Jurei que você voltaria, pra pegar uma das tuas camisetas de banda, mas não, você não voltou. Tento colocar na minha cabeça que foi melhor assim, mas às vezes não consigo mentir: você faz falta em mim. Me faz tanta falta que sou capaz de voltar aqui dias e dias para falar sobre as mesmas coisas, mas de maneiras diferentes.

Você tinha algo especial pelo qual me apaixonei. Eu não sei se foi o seu sorriso ou a maneira como você fazia eu me sentir em casa. Às vezes pode até ser o jeito como andava em minha direção, com aquele seu olhar único e o sorriso indiscutível que você abria quando eu aparecia em sua frente. Eu sempre achei que aquela sensação que eu sentia, aquele comichão bem na região do meu estômago, ia durar pra sempre. Pelo visto eu me enganei novamente. Até prefiro pensar que foi bom enquanto durou, mas o meu coração não está aceitando isso tão bem assim. E eu nem culpo tanto ele, pois você prometeu voltar e olha aí, alguns dias, meses e até anos se passaram e nada de você entrar por aquela porta mais uma vez.

Eu tentei te guardar em mim, tentei mesmo, mas você foi sumindo aos poucos da minha maneira superficial de ser. Enquanto os dias passavam e eu era obrigada a vivê-los um a um, um pedaço de ti se esvaía de mim. Primeiro foi o cheiro, depois o gosto, por fim o semblante. Aquele semblante que eu já considerava como meu, apesar de tudo. Mas, como já disse lá no início, a tua memória ainda atormenta. As lembranças são tão lindas e tão sofridas que eu ainda custo a esquecê-las. Na verdade, uma parte de mim não quer esquecê-las, mas a outra... A outra quer é que você suma por completo. A outra quer que você encontre alguém que te aceite exatamente desse jeito que você é: estranho, esquisito e misterioso. Me desculpe por não conseguir te decifrar, mas entenda que nem eu mesma me entendo às vezes, como que eu ia entender você também?

Portanto, você - sim, você, nada mais de meu bem ou meu amor, acabou, passou -, eu quero que saiba que eu te esperei sim. Esperei por dias e noites a fio, torcendo pra que num dia de chuva você batesse o interfone me pedindo permissão pra voltar. Não só pra casa, mas pra minha vida. Eu com certeza diria sim, mas hoje eu já não sei mais. A gente aprende a se virar sozinho, né? E eu aprendi, aprendi e não foi pouco. Por conta desse lado, eu gostaria de te agradecer. Mas por conta do outro, eu gostaria de te dizer que nada do que você faça daqui pra frente irá me atingir. Nem mesmo as suas manias estranhas, nem mesmo os sussurros ao pé do ouvido, nem mesmo os 'eu te amo' que hoje eu percebo que foram da boca pra fora. Bem que dizem que é amor até quando deixa de ser. Mas em nosso caso, nem era amor aquilo que vivemos.

Mas não entenda isso como uma forma de protesto anti-amor ou qualquer coisa do tipo. Não, não é isso. Isso aqui só foi a maneira de te dizer que eu andei pensando em você. E em nós. Na nossa vida. Mas já passou. Acabou. Até porque eu não consigo mais suportar essa ausência em minha vida e esse buraco que se instalou em meu peito.

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7 de agosto de 2016

Intrínseco


O que eu faria se ela voltasse? Sabe que nunca parei pra pensar nisso? Acho que é porque é algo tão irreal que não vale nem a pena pensar sobre. Mas, tudo bem, vamos lá. Se você perguntou sobre isso é porque tem algo aí no meio que precisa ser tratado. To certo? Pois bem.

Cara, ela foi a coisa mais bonita que já tive em minhas mãos. Tão frágil, tão... minha. Ao menos foi. Ao menos era. Hoje eu já nem sei. Juro, não sei como ela está, não sei se continua se cuidando assim como eu cuidava dela. Éramos só nós dois, entende? Então eu fazia meu papel de protetor, cuidava de mim e dela também. E era algo muito bom. Mesmo. Eu me sentia importante ao menos pra alguém. Mesmo que hoje eu tenha minhas dúvidas quanto a isso, eu me sentia importante sim.

Ela me fez sentir aquilo que tanto havia guardado bem escondido em meu peito. Sabe como? Eu já sofri tanto nessa vida, não queria sofrer mais uma vez. Mas lá estava ela, toda linda e pronta pra fazer estrago. Sim, foi exatamente isso que ela fez. Um belo dum estranho. Um maravilhoso estrago. E olha que eu tenho uma certa obsessão em por tudo em seu devido lugar, mas ela... Ah, ela conseguiu entrar e deixar tudo bagunçado mesmo. Não tinha importância, sabe? Desde que estivéssemos nós dois ali, juntos, nada mais importava.

Podia fazer o tempo que fosse, podia aparecer quantos convites fossem, o nosso programa de sexta a noite sempre era debaixo do edredom. As pernas dela confundiam-se com as minhas e assim a gente ficava. A noite toda e o dia seguinte todo também. Quando não emendávamos o final de semana inteiro, né. Aí, você sabe, outras coisas aconteciam também. Mas eu sei que não é disso que preciso falar.

Bom, o que eu faria se ela voltasse? Sinceramente, eu acho que nada. É sério, eu ficaria estático, olhando aquele rosto que tanto amei um dia. Mas saber o que fazer? Não, eu não sei. Um oi talvez. É, um oi. Já é um bom começo, não é? Depois eu talvez perguntasse como estariam as coisas ou até mesmo se o irmão dela conseguiu escrever o livro de ficção científica que tanto quis. Jamais tocaria no assunto nós. Jamais. Não seria justo. Nem comigo e nem com ela. Sabe como é né, duvido que ela não tenha sofrido também com o fim do que fomos um dia.

Sim, eu entendo que nem sempre o eterno se faz concreto, mas sei que fiz eterno enquanto durou. Pode parecer confuso, mas é que essa história, a nossa história, já está impregnada nas páginas da minha vida. É claro que a cada novo dia, novas páginas são escritas. Mas eu não posso renegar, muito menos apagar, o que aconteceu e ficou no passado.

Eu até fico feliz com tudo isso que fiz até aqui. Eu já chorei tanto, já sorri tanto... Já gargalhei até a barriga doer. Sério. São sensações boas que espero que permaneçam em minha vida por muito mais tempo. Que eu morra um dia de tanto rir, mesmo que não seja metaforicamente. Que eu morra um dia sem estar arrependido do que não fiz. Porque eu fiz. Fiz muito mais do que um dia tive em mente. E pretendo fazer ainda mais.

E se o que eu tiver que fazer não inclua ela, meu querido, está tudo bem também. Porque se teve algo que aprendi com esse término foi que de amor ferido não se pode morrer. E tem mais, com ela eu era feliz, mas sem ela eu continuo sendo feliz. De outra maneira, é óbvio. Mas eu sou feliz sim.

O canto dos pássaros, o latido dos cães, a buzineira dos carros... Tudo isso me mostra o quanto o mundo é singular e o quanto ainda tenho pra conhecer e viver. Sem ela, sem ninguém. Só eu e o interior do meu ser.

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11 de julho de 2016

Não faça comigo o que fez com os outros

Trilha sonora: Velha história - Fresno


Você me pediu pra eu não te abandonar e olha aí: o que você fez? Virou as costas na primeira oportunidade e saiu às pressas para bem longe de mim. Sei que talvez eu não tenha dado o meu melhor para você, mas sempre deixei bem claro quais eram as minhas intenções e o que me encantou em você. Mas você, ah, você... Você sequer se esforçou em acreditar, pegou todas as minhas palavras e jogou ao ar. E eu jamais entendi o motivo, achei que se te enaltecesse você fosse capaz de acreditar mais em mim. Pelo visto, me enganei.

Bem que você me avisou que era daquelas que tinha um portão trancado a sete chaves em volta do coração. Mas eu, como bom pinta-de-galã, não acreditei. Achei que seria fácil destrancar cada uma das fechaduras e, enfim, alcançar o seu bem mais precioso. Jurei que faria o meu melhor só para te ter em minhas mãos, eu só esqueci de lembrar que você não faz parte desse grupo de gurias. Você é bem mais do que isso e bem melhor. É daquelas que vale a pena lutar, que vale a pena ir atrás e saber o maior motivo que te faz sorrir. Mas eu me esqueci. Na verdade, eu desisti.

Pode ter certeza que, assim como ficarei na sua memória, você ficará na minha. Talvez em maior intensidade, sim. Mas nunca se esqueça que eu tentei. Pelo menos, eu acho que tentei. No começo, quando eu realmente não te conhecia. Quando éramos dois estranhos compartilhando de suas próprias paixões. E quem diria que justo a sua paixão mais estranha seria o meu atual pesadelo, não é? Não soube respeitar as pequenas coisas, as pequenas palavras, as pequenas atitudes - e os maiores sentimentos. É, bem que você me avisou. Agora já foi.

Aliás, você se foi. E eu tenho medo de saber o porquê, eu tenho medo de descobrir se você irá fazer alguma loucura pelo simples fato de eu ter dado risada no momento mais inoportuno. Por favor, me diga alguma coisa, eu sei que você está por aí e ainda pode me ouvir. Veja bem, eu não quero que você se vá. Aproveite que está no meio do caminho e me peça pra ficar. Sei que essa promessa foi meio torta da outra vez, mas te prometo que irei melhorar. A sua falta é tão grande que nenhuma outra pessoa será capaz de preenchê-la por completo.

Olha, não precisa chorar. Sei que você não vai ser capaz de acreditar no que vou dizer, mas saiba que é a maior verdade que já contei nesses últimos tempos: eu adoro você. Simples assim. Não é amor, ainda não, mas é carinho, é compreensão. Fui ridículo demais em perceber isso apenas quando não mais tinha seu toque ou os seus lábios. Não é amor, é admiração. Pelo que você foi e pelo que você é. Por isso, me perdoa? Sei que não estou no meu direito, mas me dê mais uma chance. Prometo que serei mais humano, mais homem e mais feliz.

Só quem perde alguém de verdade sabe bem a dor que o silêncio de uma pessoa traz.

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28 de junho de 2016

Sentimento


Já vi diversos amores por aí, alguns até nem deveriam ser considerados como tal. Aprendi, desde cedo, que amar é doar e ceder, e não possuir, como muitos por aí praticam. 

Já escutei muita coisa absurda de bocas alheias sobre o que é o amor. E nenhuma definição condiz com o que tenho em mente - que amar é aceitar, é respeitar, é valorizar.

Já vivi alguns amores absurdos também, onde eu não tinha voz perante alguém. E isso com certeza não é amor, porque amor é saber ouvir, saber opinar, saber ajudar. E não simplesmente o famoso venha a nós o seu reino. O que, diga-se de passagem, é um ato horrível de se fazer - e ainda mais se achar que isso é o mais verdadeiro amor existente.

Amor não deveria doer. Ele deveria curar, na realidade. Ele deveria pousar sobre todas as nossas feridas e ter o poder de curá-las, uma a uma. Cicatrizes ficariam, é claro, nem toda estrada permanece para sempre sem buracos. Mas tem gente que prefere ter essas cicatrizes sendo reabertas dia após dia. E isso é tão doentio...

As pessoas deveriam praticar o amor um pouquinho mais em suas vidas. Elas deveriam entender, de uma vez por todas, que amor não é apenas aquele sentimento que uma pessoa nutre pelo parceiro. Amor é algo bem maior que isso, como o fato de ter mais um dia para se viver. Sim, isso é amor. Amor pela vida, amor pela tentativa de ser feliz por mais um dia.

Já vi tanto descaso nessas ruas sem fim. O pior de tudo é saber que existem pessoas que consideram descasos assim como amor. Afinal, estar com alguém por pena, simplesmente, é amor, né? Até onde pode chegar esse descaso com o sentimento mais puro que alguém pode ter por outro? Espero que não muito longe de quem propaga todo esse ódio, esse rancor.

Já vi tantas desculpas por aí. Desculpas para machucar, para humilhar, para zoar. E isso com certeza não é porque existe amor ali no meio. Na verdade, o amor nem está presente ali. No início talvez, mas hoje não. O amor deu lugar à tristeza, ao vitimismo, ao incômodo. Amor não é o que te destrói, mas sim o que junta todos os seus pedaços para te ressuscitar mais uma vez.

Amar não é um ato de bondade, muito menos de caridade. Amar é muito mais. Com o amor presente, é preciso aprender sobre as diferenças e aprender a aceitar cada uma delas. Com o amor você tem passe livre para chorar quando e onde quiser. Quando algo é tão grande que não cabe mais no peito, é preciso expelir, transbordar as coisas boas para fora do nosso eu. É preciso exteriorizar tudo aquilo que você guardou só pra você até aquele momento.

Está na hora do mundo aprender a reconhecer o amor dos outros. O mundo precisa conhecer o que de melhor você guarda e o que de melhor você sente. Ele precisa entender que você não está aqui a toa, você está aqui para demonstrar a todos o porquê de você querer o que quer; de sentir o que sente. Está na hora do mundo enxergar o que de bom você pode fazer por ele. E pelas pessoas. E por que não para você mesmo?

Quando as coisas não cabem mais em palavras, nem em gestos, nem em atitudes, uma palavrinha só consegue sintetizar todo o sentimento; a sensação. É amor. Amor que não se mede e que também não se repete.

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