17 de julho de 2013

Eu só quero que você saiba que isso não vai ser pra sempre

Sei que você tentou, de todas as maneiras me encurralou e me persuadiu. Até que, enfim, cedi. Não é algo fácil fazer com que eu aceite uma mudança. Mas vamos lá, não custa nada. Pelo menos é o que dizem por aí.

Por tanta coisa passei e por tantas pedras tropecei. Já não sei o que seria de mim sem a sua mão pra me apoiar. Quero dizer, você realmente esteve ali pra me ajudar. Sei que muitas coisas que fiz, sequer mereciam a sua atenção. Confesso que sou uma alma quebrada, estilhaçada, andando por aí. Sem rumo e sem direção. Vou até onde o vento me permitir.

Mas tem uma coisa que você talvez não saiba de mim. Todas as pessoas que um dia me fizeram mal, de um certo modo construíram algo aqui dentro. E digo mais: é algo do qual não me orgulho. Cabe a você, agora, tentar descobrir do que estou falando. Não dou o ouro tão fácil assim para o inimigo, me desculpe.

Sabe aqueles dias que tanto significaram pra você e pra mim? Não há um dia sequer em que eu acorde e não me lembre deles. Realmente, algo foi construído ali. E agradeço. Você, dentre outras pessoas, conseguiu, por um momento, fazer com que eu me sentisse especial de certa forma. Mas acabou. Cansei.

Não me leve a mal, mas creio que ainda está muito cedo para desconstruir a fortaleza que eu mesmo pus em torno de mim. A verdade é que, de tantos espinhos que um dia me feriram, acabei criando uma cicatriz que, sinceramente, não estou disposto a expô-la novamente.

E sinto que você será apenas mais um espinho dentre todos os outros que estão no meu jardim.

8 de julho de 2013

Despedida

Eu sempre quis ser diferente das outras pessoas. Sempre tive vontade de sair por aí. Viajar; explorar; viver. Parece uma coisa tão simples, mas se parar pra pensar, tudo isso demanda tempo. E força de vontade. Não que eu não tenha isso, eu tenho. Só não agora.

Tanta coisa aconteceu nesses últimos dias. Se eu for parar pra explicar tudo, você para de ler essa carta agora, amigo. E não é essa a intenção. Por muito tempo eu venho procurando alguém pra me ouvir e, enfim, você surgiu. Agradeço, viu? De verdade. Não é sempre que encontramos uma pessoa disposta a perder uns minutos do seu tempo para ler um relato que, convenhamos, é meio sem sentido. Mas vamos lá.

Ontem decidi tirar da minha vida o que, até então, era um dos meus principais motivos para sorrir. Estranho, eu sei. Mas vai ser melhor assim. A verdade é que já fazia algum tempo que eu não sorria. E ninguém é obrigado a viver dessa forma. Sou daqueles que ainda insiste em pensar que cada indivíduo possui uma alma gêmea perdida nesse mundão afora. Besteira.

É engraçado ver o quanto as pessoas a minha volta sorriem de uma forma natural. Não consigo me lembrar quando dei o meu último sorriso sincero. Acho que já comentei isso. Não, não é exagero não. Fui deixando aquela dor saudável ir me dilacerando aos poucos. E quando achei que já estava tudo cicatrizado, veja você, me pegaram de surpresa.

Às vezes o inesperado nos surpreende.

Bem, já tentei, de várias formas até, deixar isso de lado e continuar a minha vida. Mas é complicado. Pelo menos pra mim. Ok, pode parecer falta de vontade. Talvez até seja. Mas se você voltar lá no começo, verá que me falta isso no momento. Sei que a vida não pode se auto colorir. Mas saiba que já comprei até meus 24 lápis da Faber. É um começo.

Estou disposto a não mais viver dessa maneira. E sabe o porquê? Já cansei de deixar as pessoas brincarem com o que sinto. Confesso que de uns tempos pra cá acabei fazendo isso também, só pra ver qual é a sensação. E ela não é legal, acredite. Me pergunto a cada manhã quando é que o sol resolverá aparecer novamente. Não tenho resposta. Creio que seja eu mesmo o autor dela. Trabalharei nisso.

Mas antes, despeço-me. Obrigado pelo seu tempo (se é que você chegou até aqui). Meu trem está para partir.

E eu estou indo. Pra lugar nenhum. Um lugar qualquer.

7 de julho de 2013

A vida como ela é

Sabe-se que pessoas do sexo masculino demoram mais para amadurecer. Eu que o diga. Ah, desculpe-me! Meu nome é Júlio. Tenho 22 anos e não sou nada mais do que um menino. Na sua linguagem, moleque. Tenho uma imaginação bem fértil, a qual apresenta fragmentos da realidade. Por que não, certo? Errado.

Vou explicar melhor: idealizei um modelo de mulher que gostaria de ter sempre ao meu lado. Como ela é? Um olhar atraente com um look impecável. Feminina, sabe? Comparando a mim, o oposto do que sou.

Veja bem, não sou muito de cuidar da minha aparência. Faço mais o estilo desleixado, com uma barba mal feita no rosto e muita história pra contar. Falando em história, estou aqui pra contar uma muito boa. Certo dia, resolvi confiar um pouquinho mais no meu instinto e conceder a mim mesmo uma chance de ser feliz. Ora, todo mundo quer um dia apresentar para a mãe a sua futura nora. Porém, a única coisa que me impediu de fazer isso, até agora, foi a minha própria sede insaciável de imaginar situações. Quanta ironia!

Mas tudo bem, consegui apreciar algo (ou melhor, alguém) por esses dias aí. Gabriela. Esse é o seu nome. Entre amigos em comum consegui agregar algo positivo fora da imaginação. No começo tudo ia muito bem, obrigado. Mas o tempo foi passando e ele é meio traiçoeiro, sabe. Comecei a pensar em coisas que não devia e, é claro,  vez ou outra dava com a língua nos dentes.

Talvez tudo isso esteja meio confuso pra você. Pra mim também está, acredite. Até hoje ainda não entendi o verdadeiro motivo dela ter me deixado. Quer dizer, nunca a tive em minhas mãos para poder dizer agora que não tenho mais. Que seja. O problema sou eu mesmo. Sempre foi. E acho que sempre vai ser.

Vou explicar: na minha cabeça, todas as mulheres desse mundo são iguais àquela que idealizei. Lembra dela? Pois então. A questão é que esqueceram de me avisar que as coisas aqui fora são um pouquinho diferente.

O amor está cada vez mais escasso e a vida tornou-se uma competição.

E eu? Eu vou seguindo por aí, até onde me deixar permitir. O que não é muito, confesso. Mas vou levando. Tentando. Tropeçando. Nos meus próprios pensamentos. Na minha própria imaginação. Quem sabe um dia eu consiga o que tanto quero. Quem sabe um dia eu consiga parar de pensar menos e fazer mais. Quem sabe um dia eu encontre outra Gabriela na minha vida.

É... quem sabe.

15 de junho de 2013

18 em 3

Direitos
O povo acordou. Brasil se movimentou.

Criatividade
Passou, olhou, sorriu e foi embora.

Amor
Idealizou. Quando finalmente viu, se decepcionou.

9 de junho de 2013

Sobre tudo o que quis dizer um dia e não consegui

Certas coisas a gente não consegue esconder. Muito menos prever. Elas simplesmente acontecem. E, meu amigo, vou te dizer, é complicado. Sabe todas aquelas vezes em que você tentou fazer algo diferente e que valesse a pena? Me diz... valeu? Porque, assim, eu preciso saber. Me coloquei numa situação e confesso que já não sei mais como sair dela. Tantas vezes me peguei imaginando diversos acontecimentos... O problema é que nada saiu disso, ficou tudo apenas na imaginação.

Por tanto tempo quis botar isso pra fora, sabe? Me desculpa se to te enchendo, mas é que você estava aí, parado. Talvez na hora errada e no lugar errado. Se quiser sair, tudo bem. Aproveita enquanto há tempo. Mas olha, só uma coisa, a cerveja ainda não acabou e a festa mal começou.

Tá vendo aquela pequena ali? Fiquei com ela por um bom tempo. Tá, talvez não seja tanto tempo assim, mas sabe aqueles tipos de relacionamentos que, se parar para pensar em tudo, dá um belo de um livro? Então, a nossa história foi mais ou menos assim. Não vou ficar aqui contando tudo, vai que um dia eu resolva colocar tudo no papel mesmo. Seria legal.

Ah. Devaneios. Acontece.

Voltando. Ela me deixou. Não sei o motivo até hoje. Quer dizer, ela falou qualquer coisa sobre eu não levar a vida muito a sério. Ou será que foi algo sobre ela querer alguém mais sério? Não sei. Bom, independente de qual seja, prefiro não acreditar. Sabe como é, prefiro ter em minha mente que ela ainda vai voltar pra mim um dia.

O que? É, eu vi. Ela tá dando maior mole pro rapaz ali. Mas sabe o que vai acontecer? É, é, eu também não sei. Mas escuta só. Eles vão dar uns amassos e pronto. Química. Nada mais. (Ou vão ser o amor um da vida do outro e ainda vão me mandar o convite do casamento. Prefiro a primeira opção.)

Sim, eu estou bem. É só que... deixa pra lá. Não vale a pena. Aliás, não sei se algo que fiz na minha vida inteira valeu a pena. A verdade é que eu quase desisti. Juro que pensei em jogar tudo pro alto e tentar ser um outro alguém em algum lugar muito longe daqui. Eu queria ficar longe de mim, sabe como? Mas uma coisa eu aprendi: não importa onde você está, nossos atos e falhas sempre vão ficar. Esculpidos em meio a inocência da humanidade, onde nada mais poderá alterar ou ser alterado.

Já me disseram que tenho um ar meio solitário. Pois bem, aprendi a conviver com a minha solidão. Não é nada demais, na pior das hipóteses, ela se torna uma espécie de companhia. E quer saber? Eu não me importo.

Você tem um cigarro aí, por acaso? Ótimo. Toda essa conversa me deixou nervoso. De qualquer forma, obrigado pelo seu tempo e pela sua paciência. Um dia a gente se esbarra por aí.

Em outra festa qualquer de uma cidade não muito explorada.