9 de junho de 2013

Sobre tudo o que quis dizer um dia e não consegui

Certas coisas a gente não consegue esconder. Muito menos prever. Elas simplesmente acontecem. E, meu amigo, vou te dizer, é complicado. Sabe todas aquelas vezes em que você tentou fazer algo diferente e que valesse a pena? Me diz... valeu? Porque, assim, eu preciso saber. Me coloquei numa situação e confesso que já não sei mais como sair dela. Tantas vezes me peguei imaginando diversos acontecimentos... O problema é que nada saiu disso, ficou tudo apenas na imaginação.

Por tanto tempo quis botar isso pra fora, sabe? Me desculpa se to te enchendo, mas é que você estava aí, parado. Talvez na hora errada e no lugar errado. Se quiser sair, tudo bem. Aproveita enquanto há tempo. Mas olha, só uma coisa, a cerveja ainda não acabou e a festa mal começou.

Tá vendo aquela pequena ali? Fiquei com ela por um bom tempo. Tá, talvez não seja tanto tempo assim, mas sabe aqueles tipos de relacionamentos que, se parar para pensar em tudo, dá um belo de um livro? Então, a nossa história foi mais ou menos assim. Não vou ficar aqui contando tudo, vai que um dia eu resolva colocar tudo no papel mesmo. Seria legal.

Ah. Devaneios. Acontece.

Voltando. Ela me deixou. Não sei o motivo até hoje. Quer dizer, ela falou qualquer coisa sobre eu não levar a vida muito a sério. Ou será que foi algo sobre ela querer alguém mais sério? Não sei. Bom, independente de qual seja, prefiro não acreditar. Sabe como é, prefiro ter em minha mente que ela ainda vai voltar pra mim um dia.

O que? É, eu vi. Ela tá dando maior mole pro rapaz ali. Mas sabe o que vai acontecer? É, é, eu também não sei. Mas escuta só. Eles vão dar uns amassos e pronto. Química. Nada mais. (Ou vão ser o amor um da vida do outro e ainda vão me mandar o convite do casamento. Prefiro a primeira opção.)

Sim, eu estou bem. É só que... deixa pra lá. Não vale a pena. Aliás, não sei se algo que fiz na minha vida inteira valeu a pena. A verdade é que eu quase desisti. Juro que pensei em jogar tudo pro alto e tentar ser um outro alguém em algum lugar muito longe daqui. Eu queria ficar longe de mim, sabe como? Mas uma coisa eu aprendi: não importa onde você está, nossos atos e falhas sempre vão ficar. Esculpidos em meio a inocência da humanidade, onde nada mais poderá alterar ou ser alterado.

Já me disseram que tenho um ar meio solitário. Pois bem, aprendi a conviver com a minha solidão. Não é nada demais, na pior das hipóteses, ela se torna uma espécie de companhia. E quer saber? Eu não me importo.

Você tem um cigarro aí, por acaso? Ótimo. Toda essa conversa me deixou nervoso. De qualquer forma, obrigado pelo seu tempo e pela sua paciência. Um dia a gente se esbarra por aí.

Em outra festa qualquer de uma cidade não muito explorada.

24 de maio de 2013

Inverno

Texto publicado na Revista Subversa.

Hoje o dia amanheceu frio. E logo que acordei, percebi o porquê. Tudo bem, o inverno está chegando, a tendência é ter os pés gelados mesmo. Mas todo mundo sabe eu sei que o meu inverno dura o ano todo. Pelo menos desde o dia que perdi você.

Eu ainda não sei como tudo aconteceu. Não sei se foi erro meu ou seu. Provavelmente meu. Ou seu, porque sabe, essa mania que tenho de colocar toda a culpa nas minhas costas eu ainda não perdi. E, provavelmente, não vou perder. Acontece. 

Aprendi que a natureza das coisas é exatamente essa: a gente vai, enfrenta tudo, conhece alguém bacana pra te ajudar a enfrentar esse tudo e no final... Ah, no final cada um vai pro seu lado e você continua indo e enfrentando tudo. Problema quando esse tudo agrega uma pequena carga emocional, né? É. Não sei você, mas eu não sei lidar direito com os meus mais sinceros sentimentos.

Tanta gente já tentou me mostrar que não vale a pena ficar alimentando lembranças de um passado nada ruim. Se me perguntam de você, digo que está bem, quando na verdade nunca mais soube da sua vida. Fiquei sabendo por aí que você já me esqueceu. Prefiro não acreditar, por mais que eu tente. Mas na minha cabeça, tudo o que a gente passou irá permanecer e, um dia, você vai voltar correndo e dizer: "eu me enganei".

***

Esquentou um pouco. É que preparei meu café, sabe? Na verdade, já até arrumei a cama pra dar aquela sensação de que você continua aqui; que não foi embora. Lembro das risadas que a gente dava quando contávamos um ao outro o que sonhamos. E das broncas que recebi por sempre estar com o pé no chão. Ah, os beijos de bom dia, eu guardei todos. Eles ainda são seus.

Estive pensando e, hoje, nem que seja só hoje, eu vou te procurar. Nem que seja em um livro, uma música ou um outro alguém. A saudade pegou de jeito, preciso amenizá-la.

Sabe aquele seu livro de adolescente que eu tanto debochava? Então, eu já folheei umas páginas algumas vezes, e confesso que me surpreendi com as palavras. Sabe, coisas do tipo "A dor pode até estar te machucando hoje, mas algo melhor do que aquilo que você já teve está te esperando. O ontem já passou, não adianta ficar pensando no que não deu certo. E o amanhã nunca se sabe. Vai que sua grande chance de mudar tudo isso está bem ao seu lado. Dê uma olhada, perder o que nem se tem você não vai." a gente não lê todo dia.

***

Resolvi pensar um pouco em mim. Comecei pelo rosto. Tirei a barba que um dia você tanto criticou. Dei um trato nas minhas roupas também.  Já não estava pegando bem aquela camiseta que te servia de pijama. Dei pro cara ali, tá vendo? Ele tava passando frio. Afinal, ainda é inverno. Mas é aquela coisa, consegui encontrar uma maneira de amenizar os meus pés gelados. Bom, não só os pés.

Encontrei uma pessoa, sabe? Às vezes o que a gente realmente precisa é de alguém que se importe. E acredite, eu também me importo. Sei que o que a gente teve foi rápido intenso, mas eu to feliz com esse meu novo rumo. E eu consegui te deixar um pouco de lado.

Encerro por aqui a minha rotina de escrever sobre você e para você. Um dia, eu sei, as lembranças vão insistir em reaparecer. Mas aí o inverno já vai ter passado e não vai ter tanto problema.

29 de abril de 2013

Thanks for the memories (even though they weren't so great)

Mudei a direção.

De tanto tentar sempre fazer o certo, achando que receberia o mesmo em troca, aprendi a não mais me importar. Deixa estar. Uns vão, outros vêm. E você fica aí. Parado. Sem reação. Dando a cara a tapa. Fazer o que.

Se liga. Nem todos são o que aparentam ser. Quando digo nem todos, quero dizer a maioria. Eles chegam, fazem o que querem e depois vão embora. Sem se importar com a bagunça que criaram. Eles sabem que, no fundo, a gente dá um jeitinho de arrumar. Não completamente, porque, você sabe, tem vezes que a gente bagunça tudo de novo. Sem motivo. Só porque quer.

As lembranças fazem parte do que há de pior. Lembrar dói. E ultimamente isso é o que mais incomoda. A dor. A lembrança. Você.

Você dói.

Logo eu, que já tinha deixado você de lado, resolvi trazer você pra mim de alguma forma novamente. Eu, que sei o que já não me faz mais bem, trago você de volta pra ver se tudo isso volta a ter algum sentido. Eu, que não bebo, queria um gole só pra esquecer.

Ou pra me aquecer.



...você não sabe o quão mal me fez.

11 de abril de 2013

Coleção

Sempre me perguntam se coleciono alguma coisa. Sempre respondo que não, afinal, nessas horas nunca me vem nada na cabeça. Mas parei esses dias pra analisar tudo o que a vida já me proporcionou. Dei uma murchada, é claro. Mas, ao contrário de alguns anos atrás, consegui distinguir o certo do errado; o bom do ruim. E isso já é um começo, eu acho.

Por vários caminhos eu já passei e em muitas pedras tropecei. Caí, mas também levantei. É o jogo da vida, você sabe. Ganhar ou perder. E acho que todo mundo já entendeu que eu não to aqui pra perder. Porque, sabe, já perdi muita coisa. Amigos e amores, risadas e rancores, versos e refrões.

A cada dia, uma nova batalha. A cada dia, uma nova conquista. São coisas belas o que a vida me oferece. Quero dizer, a maioria delas, pelo menos. Porque nem tudo é um mar de rosas. Nem tudo é fácil. Se tá fácil, tá errado. Sempre foi assim. Pra mim, pra você, pra nós.

Ah, o nós...

Já se passaram 2 meses, 11 dias, 48 minutos e 27 segundos desde que você cruzou aquela porta afora. E nunca mais voltou. Estranho, porque você sempre me dizia que no final tudo se ajeitava, tudo voltava ao normal e ao seu devido lugar. Ou aqui nunca foi o seu lugar, ou ainda não é o final. Espero que seja a segunda opção, por mais que eu saiba que a primeira é a mais provável.

Tudo bem. Continuo meu caminho. Não foi assim que você me ensinou? Firme, forte e em frente. Aprendi a lidar com os tropeções e as devidas pessoas que os causaram. Aprendi a não me importar tanto com o que os outros pensam. Eu sei o que é melhor pra mim. Não sei você, mas eu ainda acho que o seu melhor está guardado em mim.

Ah, desculpe. Perdi o foco. Ok.

Acrescentei seu nome naquela minha lista que cheguei a te mostrar um dia. Aquela que você jurou que jamais estaria inclusa. Tolinha. As pessoas são todas iguais. Inclusive você. E olha, se hoje me perguntarem se possuo alguma coleção, a minha resposta, dessa vez, vai ser diferente. Irei responder que sim, possuo, e quando me perguntarem do que, responderei simplesmente:

"Meu amigo, a vida é cheia de escolhas, verdades, desafios e consequências. A minha, bom.. a minha além disso tudo é cheia de decepções. Que, aliás, estão guardadinhas aqui, na caixinha que há em meu peito. Cada uma com seu cada qual. Eu sei, não faz sentido, mas sabe como é.".

30 de março de 2013

Recomeçar

A: Sumiu.

B: Tava vivendo.

A: Tava?

B: É.

A: Não tá mais?

B: As coisas mudam.

A: Como...?

B: Cigarros, mulheres, bebidas, essas coisas. Acabam com o indivíduo. Tudo igual.

A: Pelo que me lembre, você estava muito bem uns meses atrás.

B: Eu te disse, as coisas mudam.

A: Certo.

B: E você?

A: O que tem?

B: Tá vivendo.

A: Foi uma pergunta?

B: Não sei. Foi?

A: Sim.

B: Sim o que?

A: Sim, estou vivendo.

B: Ah.

A: Pois é.

B: E como...

A: Como estou vivendo? Simples. Estampa um sorriso falso nessa sua cara e enfrenta o mundo, rapaz. Ninguém irá enfrentá-lo por você.

B: Ah.

A: E tem mais. Eu sei que dói.

B: Dói? Do que você está falando?

A: Antes. Você disse que cigarros, mulheres e bebidas acabam com o indivíduo. Beber e fumar são duas coisas que você sempre fez. E você nunca se deu muito bem com as mulheres, certo? Quero dizer, você é um merda, cara. Me desculpe, mas você é. Então, acho que pela primeira vez, tá doendo algo em ti.

B: Você me pegou.

A: Sua vida não acabou, cara.

B: Não?

A: Pelo contrário.

B: Não te entendo. O que quer dizer?

A: Olhe ao seu redor. Há tanta coisa bela na vida. Aprecie.

B: Como?

A: Aí já é com você. Mas repito, sua vida não acabou. Ela apenas... recomeçou.